POLÍTICA CAFEEIRA — Na quinta-feira, 24 de agosto, o presidente executivo e o conselheiro diretor do CNC, deputado Silas Brasileiro e José Marcos Magalhães, respectivamente, participaram de audiência pública, na Câmara dos Deputados, para debater e analisar a política cafeeira ao longo dos últimos anos e os projetos relacionados ao setor que tramitam na Casa.

Brasileiro recordou que o setor teve dificuldades para desenvolver e executar políticas públicas voltadas à cafeicultura nos últimos sete anos porque, nesse período, passaram sete ministros pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e, a cada troca, substituía-se também a equipe da Pasta.

Por outro lado, ele destacou que uma vitória foi, sob a gestão atual de Blairo Maggi, a recriação do Departamento do Café, que é uma porta aberta na esfera governamental para o setor privado debater com o Governo e parlamentares as políticas comuns destinadas à atividade cafeeira.

Apesar da instabilidade vivenciada, o presidente do CNC lembrou que houve importantes conquistas, como a aprovação subsequente de orçamentos recordes do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), saindo de R$ 4,136 bilhões em 2015, passando por R$ 4,632 bilhões no ano passado até chegar aos R$ 4,890 bilhões em 2017. Como exemplo, apresentou que, de 2013 a 2016, foram aplicados R$ 6 bilhões desse capital em 274 municípios de Minas Gerais, que respondem por 95% da área plantada no Estado.

Brasileiro evidenciou, ainda, que as estatísticas de aplicação dos recursos do Funcafé mostram que a maior parte dos recursos foi destinada para os produtores e suas cooperativas de produção em 2016. Dos R$ 950 milhões da linha de Custeio, foram aplicados R$ 764,3 milhões (80,5%); e dos R$ 1,752 bilhão de Estocagem, R$ 1,530 bilhão (87,4%) foram aplicados. Por outro lado, demonstrou que as linhas que tiveram menor porcentual de aplicação foram as voltadas para a indústria.

O presidente do CNC também revelou grande preocupação do setor produtivo com a longevidade do Fundo, por isso citou como crucial que não se pode desvirtuar as finalidades de aplicação dos recursos do Funcafé sob pena de sua exaustão. A respeito dos preços mínimos do café, ele explicou que o CNC tem reivindicado e lutado por melhores correções junto ao Governo e se manifestado contrariamente às correções irreais que têm ocorrido.

silas cafe

Em sua explanação, o conselheiro José Marcos Magalhães alertou que o setor precisa se adaptar às inovações tecnológicas e à nova ordem mundial, com maior integração entre os segmentos de produção, indústria e comércio. Para ele, os principais desafios para a cafeicultura são:

  1. i) Construção de estatísticas mais confiáveis no que tange a previsões de safras, tamanho do parque cafeeiro nacional, estoques, consumo, etc.;
  2. ii) Desenvolvimento e aplicação de pesquisas orientadas para a solução dos problemas vivenciados pelos agentes produtivos, com estudos que envolvam o processo da semente à xícara e foquem em variedades resistentes a pragas e doenças, como ferrugem, broca, entre outras, sempre visando à qualidade final da bebida; e

iii)            Investimento em promoção e marketing, pois o crescimento do consumo no mercado asiático, em especial China e Índia, abrirá grandes oportunidades para o Brasil. É necessário desenvolver ações conjuntas, com harmonia entre os atores da cadeia produtiva, que fomentem o aumento do consumo interno e mundial, considerando também a melhoria da imagem do café do Brasil na promoção internacional.

Magalhães anotou, ainda, que é preciso conciliar o aspecto social da cafeicultura com a razão, pois nenhuma lei brasileira fará o mercado pagar preços fora da realidade, sendo mais provável que ocorra o inverso, com a ponta compradora optando por deixar de adquirir o café nacional.

O presidente da Comissão Nacional do Café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Breno Mesquita, posicionou-se recordando que as decisões tomadas no Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC) deixaram de ter peso deliberativo de fato e que esse cenário precisa ser revertido. Ele também defendeu a construção de uma política cafeeira de curto, médio e longo prazos, de forma que a cadeia produtiva, em união com parlamentares e Governo, estruture-se para as adversidades que surjam ao longo dos anos.

Por fim, Silas Brasileiro comentou que, mesmo não havendo conclusões ou encaminhamentos, a audiência pública foi importante para que todos os atores da cadeia do café trabalhem em conjunto, em uma frente única, comungando as mesmas ideias para que haja um maior êxito nas demandas junto ao Governo Federal.

— Reunião do CNC: aproveitando a passagem por Brasília, José Marcos Magalhães fez o convite para que a Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Varginha (Minasul), a qual preside, sedie a próxima reunião do Conselho Diretor do CNC. Agradecemos a presteza e o Conselho Nacional do Café aproveita para antecipar a seus conselheiros diretores que o convite foi aceito, de maneira que o próximo encontro ordinário da entidade será realizado, em 20 de setembro, na sede de nossa associada, em Varginha (MG).

ADIDOS AGRÍCOLAS — Também na quinta-feira, o presidente executivo do CNC participou de reunião na Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura com os candidatos ao posto de adido agrícola na Argentina, África do Sul, Arábia Saudita, China, Coreia do Sul, Índia, México, Rússia, Vietnã e Tailândia.

Na oportunidade, foi apresentada a estrutura e a abrangência do Conselho e das cooperativas cafeeiras do Brasil, assim como a importância do café na pauta exportadora do País. O presidente também revelou que os associados ao CNC possuem interesse em realizar negócios com todos os países para os quais os postulantes a adido agrícola serão enviados, com foco maior, conforme consulta recente, em Argentina, China e Coreia do Sul.

Silas Brasileiro detalhou informações dos mercados de café dessas três nações, apresentando aos candidatos que o Brasil é o principal fornecedor do produto a argentinos e sul-coreanos (empatado com a Colômbia) e que possui um caminho interessante para avançar no novo e crescente mercado chinês, onde é apenas o sexto provedor de café, respondendo por menos de 5% da importação naquele país.

O presidente do CNC transmitiu aos futuros adidos agrícolas que a entidade espera contar com o apoio dos que forem selecionados para a função no sentido do fortalecimento e da ampliação da participação dos cafés do Brasil nesses mercados, assim como na divulgação da sustentabilidade da cafeicultura brasileira, atividade agrícola nacional mais avançada nessa área.

MERCADO — Os contratos futuros do café arábica têm mantido tendência de queda, com o Contrato C, negociado em Nova York, acumulando perdas por nove sessões consecutivas. Indicadores técnicos e especulações irresponsáveis sobre o tamanho da próxima safra brasileira influenciam esse comportamento.

Na ICE Futures US, o vencimento dezembro do Contrato C foi cotado, ontem, a US$ 1,2790 por libra-peso, registrando queda de 380 pontos em relação ao fechamento da semana passada. O vencimento novembro do contrato futuro do robusta, negociado na ICE Futures Europe, encerrou o pregão de ontem a US$ 2.067 por tonelada, acumulando desvalorização de US$ 34 na comparação com a última sexta-feira.

O dólar comercial inverteu a tendência de valorização do início da semana no Brasil, sendo cotado, ontem, a R$ 3,1473, com queda de 0,1%. A aprovação do texto base da Medida Provisória nº 777, que cria nova taxa de juros para os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a TLP, aumentou a confiança dos investidores quanto à possibilidade de avanço das reformas no Congresso Nacional.

Diante do cenário externo, o indicador calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) para a variedade arábica foi cotado, na quinta-feira, a R$ 443,36/saca, com queda de 1,9%, em relação ao fechamento da semana anterior. O indicador do café conilon acumulou ganho de 0,5% até ontem, quando atingiu R$ 408,93.

Neste período em que o Brasil ainda está encerrando sua colheita de 2017, é muito precoce estimar qualquer volume para a safra 2018/19, pois somente as condições climáticas nos próximos meses, que são imprevisíveis, garantirão o bom desenvolvimento das floradas e dos frutos.

Especulações sem fundamento, que derrubam os preços aos produtores em momentos que são necessários investimentos para a realização de tratos culturais, indispensáveis ao bom desempenho da próxima safra, são incoerentes com o conceito da sustentabilidade.

Tal comportamento por parte de agentes que atuam no mercado financeiro e na ponta compradora corrobora o posicionamento do CNC de que a sustentabilidade tem sido uma responsabilidade exclusiva do segmento da produção.

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