MUSEU “TEMPORÁRIO” FOI PARADA OBRIGATÓRIA PARA QUEM FOI À ROMARIA NO BOQUEIRÃO 2022.

O próprio imóvel onde foi instalado o museu já é um convite para que o visitante entre e se surpreenda. Ficou ali, ao lado da igreja antiga.

Quem ultrapassou a soleira da porta fez uma viagem no tempo, às moradas sertanejas, às raízes mineiro-noroestinas.

São móveis, objetos, utensílios, fotografias que remontam a décadas passadas. É parada obrigatória para um resgate de memória.

“Enquanto gestor da memória, é uma obrigação nossa trazer essa pequena ‘filial’ do Museu Municipal para o Boqueirão”, ressalta o administrador do Museu Municipal de Unaí no âmbito da Secretaria de Cultura e Turismo, Luiz Anselmo de Sá.

Ele justifica a “obrigação” pelo fato de o distrito do Boqueirão ser mais antigo que o município de Unaí. Só de festa são 274 anos. Tudo a ver com memórias.

Inclusive, para um resgate documentado, a secretária Luciana Navarro (Cultura e Turismo) pede aos romeiros que disponibilizem fotos antigas, documentos de época, registros de pessoas enterradas no cemitério do Boqueirão. Que levem esse material ao museu.

“Vamos buscar o tombamento da Festa de Santo Antônio do Boqueirão nos níveis estadual e federal”, afirma Luciana. Em âmbito municipal, a romaria já é reconhecida como patrimônio da cultura unaiense.

DEDO DE PROSA E CAFEZINHO QUENTE

Além de proporcionar uma rápida viagem no tempo e um aprofundamento na memória regional, o museu do Boqueirão virou um agradável espaço de recepção e convivência, onde se pode desfrutar de uma boa conversa e ainda tomar um cafezinho de bule. Tudo à beira do fogão a lenha.

“As pessoas estão gostando muito, porque aqui também podem viver um pedacinho da história (passada e presente) de Unaí e do Boqueirão”, entusiasma-se Luiz Anselmo.

Segundo o administrador do museu, iniciativas do tipo só são possíveis porque a Administração Municipal tem um olhar diferenciado para a cultura, as tradições, o fazer e o saber do noroestino, especialmente do unaiense. “Quando a gente recebe um incentivo para fazer” – reconhece Luiz anselmo – “fica bem mais fácil trabalhar”.

Em visita ao distrito no momento em que a equipe de reportagem estava no museu, a ex-secretária municipal de Cultura e Turismo de Unaí, Cleonice Leitão, classificou o espaço como “lindo e surpreendente”. Segundo ela, visitar o museu é conferir parte da “nossa história”. Assim como as igrejas do distrito, afirma Cleonice, o museu do Boqueirão é hoje parada obrigatória.

Ao mencionar que espera a visita de quem vier ao Boqueirão, Luiz Anselmo conta que o museu cresce e melhora a cada nova Romaria de Santo Antônio.  “Dentro de toda a simplicidade do Boqueirão, dá pra fazer muita coisa. E as pessoas ficam encantadas com a maneira como estamos promovendo o resgate do fazer e do saber do sertanejo”.