PRAÇA DA AABB PERDE CORETO APÓS 34 ANOS; REMOÇÃO GERA DEBATE ENTRE PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA E REVITALIZAÇÃO DO ESPAÇO
Estrutura será substituída por um playground após solicitação da Associação Comunitária e de moradores do bairro Nova Divineia
UNAÍ (MG) – A Prefeitura de Unaí iniciou, na quarta-feira (8), a remoção do tradicional coreto da Praça Prefeito Joaquim Santana, conhecida popularmente como Praça da AABB, no bairro Nova Divineia. A decisão foi tomada após solicitação da Associação Comunitária do bairro e de moradores, formalizada por meio de um abaixo-assinado.
Segundo a administração municipal, o documento apontava que a permanência da estrutura vinha causando transtornos à comunidade. Entre os pedidos apresentados pelos moradores estava a substituição do coreto por um parque infantil, com o objetivo de oferecer um espaço mais adequado para o lazer das crianças, a convivência das famílias e a utilização segura da praça.
UM MARCO DA HISTÓRIA DO BAIRRO
O coreto foi inaugurado em 5 de junho de 1992, sendo construído pela Associação Comunitária do Bairro Nova Divineia. Na época, o espaço foi concebido para sediar apresentações musicais, manifestações culturais, celebrações religiosas e eventos comunitários, tornando-se um dos símbolos da praça e um importante ponto de encontro da comunidade.
Ao longo das últimas décadas, o local também passou a fazer parte da memória afetiva de muitos moradores de Unaí, que frequentaram a praça durante a infância ou participaram de atividades culturais realizadas no espaço.
MUDANÇA DE USO AO LONGO DOS ANOS
De acordo com a Prefeitura, com o passar do tempo o coreto deixou de cumprir sua finalidade original. A administração afirma que, apesar das reformas, pinturas e serviços de manutenção realizados ao longo dos anos, a estrutura era frequentemente alvo de pichações, atos de vandalismo e ocupações consideradas inadequadas pelos moradores.
Diante das reclamações e da manifestação da comunidade local, o Município decidiu remover o coreto e implantar um playground no local, buscando ampliar as opções de lazer para crianças e famílias.

PATRIMÔNIO HISTÓRICO OU REVITALIZAÇÃO?
Embora o coreto não fosse tombado como patrimônio histórico, a remoção reacendeu um importante debate sobre a preservação da memória cultural da cidade.
Especialistas em patrimônio costumam destacar que edificações sem tombamento também podem possuir valor histórico, arquitetônico e afetivo para uma comunidade. Em diversas cidades brasileiras, estruturas semelhantes foram preservadas por meio de projetos de restauração, revitalização ou mudança de uso, conciliando segurança, conservação e valorização da história local.
Entre as alternativas que poderiam ser consideradas para preservar um equipamento com esse perfil estariam:
- restauração estrutural e paisagística;
- instalação de monitoramento por câmeras e reforço na iluminação;
- realização periódica de apresentações culturais;
- criação de um pequeno memorial contando a história da praça e do bairro;
- adaptação do espaço para atividades educativas e culturais;
- revitalização integrada com novos equipamentos de lazer, preservando parte da estrutura original.
Essas possibilidades são frequentemente adotadas em municípios que buscam equilibrar a preservação da memória urbana com as necessidades atuais da população.

REPERCUSSÃO NAS REDES SOCIAIS
A retirada do coreto dividiu opiniões entre moradores e gerou intensa movimentação nas redes sociais.
A artesã Lilian Minas Artesanatos lamentou a demolição e escreveu:
“Unaí. Cultura de luto!! Nada fizeram.”
Já Zenadyo de Oliveira defendeu a decisão da administração municipal:
“É compreensível que algumas pessoas tenham apego à antiga praça, mas governar também exige coragem para enfrentar problemas que, durante anos, foram ignorados. (…) Revitalizar um espaço público não é destruir a história; é devolver sua finalidade. (…) O verdadeiro patrimônio de uma cidade é a qualidade de vida de quem vive nela.”
Também houve manifestações em defesa da preservação da memória do local.
Arlindo Saladiel comentou:
“Um povo sem memória é um povo sem raízes cultural, política e social.”
A moradora Cleidiene Barboza relembrou momentos da infância:
“Amava… Quando estudava no Pinoquio era de costume as professoras nos levar lá para brincarmos. É triste ver que acabaram com tudo.”
Outro morador, identificado como Resende, também destacou o valor afetivo do espaço:
“Fez parte da minha infância e da infância dos meus filhos.”
DEBATE CONTINUA
A remoção do coreto evidencia um tema recorrente nas cidades brasileiras: como conciliar a preservação da memória urbana com a necessidade de adaptar os espaços públicos às demandas atuais da população.
Enquanto parte dos moradores considera que a implantação de um playground representa uma melhoria para o bairro, outra parcela lamenta a perda de um símbolo que marcou gerações e defendia alternativas que permitissem preservar a estrutura original.
O debate reforça a importância de discutir políticas públicas que valorizem tanto a qualidade de vida quanto a memória histórica e cultural de Unaí.


















